sábado, 1 de agosto de 2009

Ó SSEIÇOM DIZE LÁ TUE TAMÉNHE

Mais de 3 décadas se passaram desde a transumância do Portugal amordaçado para o Portugal libertado e não é incorrecto concluir que a metamorfose não trouxe sobriedade, legalidade e humanismo. Nesta (dita) democracia foram adoptados novos procedimentos, mas igualmente coercivos injustos e injustificados, imorais e agnósticos.
A maculada e apressada descolonização política, moral e material contaminou as estruturas do Poder e deixou escapulir-se a ultima réstia do patriotismo constitucional e cívico.
O fugitivo não se fez rogado, em jeito de retaliação, levou consigo a dignidade colectiva, o espírito de conjunto, a coesão e a irmandade.
O que ficou então?
Basicamente a verborreia, a gritaria, o verbalismo panfletário e eleitoralista.
Por isso, dizer tornou-se numa função agnóstica e instintiva e pior do que isso num direito inexpugnável que, depressa demais, ultrapassou todos limites ao ponto de e a coberto dum valor mal assimilado (a liberdade) hoje tudo se poder dizer livremente, mesmo que tal dito se constitua numa ofensa à dignidade nacional ou ao direito individual.
Diz-se, dizer, repetir o que disse e tornar a repetir o repetido, tornou-se num direito semi-afrodisíaco que, como não podia deixar de ser, perverteu e inibiu o dever de fazer, de cumprir, de exemplificar, de honrar, etc.
Dizer-se polarizou o fundamentalismo libertineiro que hoje tolhe o conceito da liberdade verdadeira.
A inversão de prioridades depressa se tornou numa rotina e como consequência inevitável a oportunidade, em vez de dar a vez à aptidão, à vocação, licenciatura ou à competência, passou a enrugá-las e como não podia deixar de ser acabou cedendo ao oportunismo, à corrupção e ao compadrio, enquanto, claro está, quem de responsabilidade sobre o assunto continua a dizer que as coisas se passam dentro da legalidade, que tudo foi (ou está a ser) feito correcta e legalmente. O cultismo do dizer esbateu a semântica do fazer, e em alguns casos do dever, por isso os triliões da U.E. encharcaram a carteira dos fazedores do oportunismo e o assédio à adjudicação fez escola para erguer uma já incontrolável oligarquia de interesses mutuamente associados que inexoravelmente atirou para a sarjeta da legalidade o interesse e o bem-estar comum; e, claro está, com o remanescente diz-se que se fez obra e se satisfez as necessidades colectivas.
Dizer e fazer tornaram-se assim elementos distintos e na esmagadora maioria dos casos conflituantes.
Assim, ao estado que se diz ser democrático, o melhor que lhe posso chamar é que se constitui no inverso do que se esperava ser, e o contrário do meu ideal.

Adora dize tu amiga sseiçom, dize o ki falta dizere!

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