Entre uma disputa de poleiro protagonizada pelo Executivo (que quer jogar o briedge internacional) e o Supremo (que não quer perder o papel principal) vegeta o Exército (diga-se forças armadas) a desfarelar-se segundo a segundo.
Acordes duma inexorável agonia.
A reverência institucional, até para superar o desconforto pessoal, levou à adopção da solução de recurso: substituir a força armada pela guarda nacional republicana (GNR).
As Forças Armadas que até então se vinham estratégica e tácticamente preparando para os voos da internacionalização, para os arrojos da projecção em teatros externos – por razões de umbigo – são subitamente atiradas para a sarjeta dos descaminhados.
E qual fénix renascida, num ápice vemos uma GNR, sim a mesma que esteve em vias de extinção, a liderar o protagonismo da diplomacia armada.
E assim, uma força bastarda, em vias de extinção, que nem é peixe nem é carne passa de cadáver a príncipe do regime, aparecendo fortemente armada, armada até aos dentes, desmesuradamente equipada com meios aéreos, navais e terrestres.
Do Velho Exército (desculpe, das forças armadas) resta, cada vez mais, uma miragem que a breve trecho se desvanecerá.
Adivinha-se o dia do aviltamento da História.
O Presidente da República na cerimónia epígrafe da sua reflexão disse que no dia em que as forças armadas morrerem Portugal morre também.
Dia esse que já esteve mais longe.
E a menos que nasça uma solução miraculosa, solução que só pode alternar entre aquela que foi anunciada profeticamente pelo venerável escritor (“português/espanhol”) com nome de Nobel ou a coerciva demissão de todas as instancias de poder, excepto o PR, e a adopção dum governo de salvação nacional constituído por homens de inalienável patriotismo, como por exemplo Hermano Saraiva, Adriano Moreira, José Saramago, Rui de Carvalho (actor), V.ª Ex.ª (Sarsfield Cabral), Ramalho Eanes, Villaverde Cabral, Joaquim Aguiar, e alguns outros da mesma estirpe.
O aviso é sério, se as elites não se assumirem e se demitirem da responsabilidade que – por patriotismo - lhes cabe, então à Massa (Povo Português) só restará a via da regressão pelos caminhos da Memória Ressuscitada olhando por entre o nevoeiro tentando ver o Sebastião Prometido.
Que valha a verdade bem que poderá ser um Impostor - ou o Ressuscitado Velho do Restelo – que vendo a agonia popular e sentindo o seu pulsar hesitante lhe proporá a permuta da psicologia da salvação pela ideologia do heroísmo.
Nesse dia – inevitável – a Massa em agonia arranja forças para se levantar dos escombros e transportará em ombros o Novo Herói, um dejá-vu, “lembrando-se que um dia saiu à rua para comemorar a liberdade e a democracia, valores pelos quais esperou 48 anos” e que agora é chamado de novo a fazê-lo desta vez, sem esperar tanto tempo, saindo em júbilo para festejar a queda do sucedâneo, agora com o dobro da euforia abrilina.
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Como primeiro comentário no blog, apenas queria dizer meu amigo, que no nosso país de contrastes, realmente está muita coisa fora do lugar, muita coisa para arranjar para mudar e muito mais....mas.... quem viveu uma realidade noutras paragens em que o direito à saúde não existe, ou se existe tens mesmo que pagar, onde existe uma polícia que só lá está para multar o pobre cidadão, e vira às costas à violência, onde a corrupção tomou conta de tudo, e o dinheiro passa mesmo por cima de qualquer lei, onde tens que pensar duas vezes antes de sair à rua com medo de ser assaltado, ou bem pior, então vais-me perdoar mas acho que me vais permitir pensar e sentir que vivo num lugar onde me consigo sentir segura onde a justiça, apesar de tudo ainda existe, e às vezes, apesar de toda a razão que possamos ter, nos portugueses temos aquela tendência natural de dizer mal de tudo o que é nosso.
ResponderEliminarIsto é só um comentário, não sou a favor nem contra nada nem ninguém, apenas uma cidadã do mundo.O país de que falo sabes qual é.
Beijos