terça-feira, 25 de agosto de 2009
APÓS A NEGLIGÊNCIA DEMOCRÁTICA, EIS O INSULTO DESPOTA: O POVO JÁ ESTÁ HABITUADO, POIS CLARO!
Neste País, dito democrático, onde tudo anda ao Deus dará, onde o forrobodó é a regra, onde a impunidade é a marca e a irresponsabilidade o protocolo institucional assegurado, tudo pode acontecer!
O povo, o Zé Ninguém, aquele a quem a norma-mãe apelida de Soberano (sem que ninguém saiba o que isso significa) uma vez mais está a ser arrolado para partilhar a mentira e tolerar a irresponsabilidade.
O mesmo povo que já viu "crime" de Camarate esvair-se pelo ralo da impunidade, o mesmo povo que viu a "negligência" da ponte de Entre-os-Riods esvair-se pela ralo da impunidade, prepara-se agora para ver "mais do mesmo", incluindo o falatório panfletário.
O Ministério Público - que eu sinceramente não sei o que é, nem vejo qualquer utilidade prática na sua existência - acaba de ANUNCIAR a instauração de mais um inquérito-crime ao "incidente" da praia.
A primeira palavra é de condolência e é dirigida aos familiares e amigos das vitimas.
A segunda é para "acusar" esta (mais uma manobra negligente, com fins dissimulatórios) do MP. Anunciar a abertura de um inquérito-crime para quê? Já sabemos qual vai ser o resultado? E mais sabendo o povo, como sabe, que neste país as instituições e os instituintes logram entre si cumplicidades para agirem em concerto, não sería razoável, na salvaguarda da verdade, falar nada e agir tudo? O anuncio da abertura do inquérito-crime (alegadamente atirado para dissimular os entalhes de consciência do povo ofendido) chega aos ouvidos dos eventuais implicados que sem perda de tempo tratarão de antecipar a "defesa", dissimulrar a "culpa", detruir "provas", etecétera.
Se desta curta análise me fosse autorizado retirar uma conclusão, e até porque estamos em maré de revisão contitucional, eu diria e propunha a extinção do MP.
O fecho do MP desencadearoia uma enorme poupança ao erário publico e um aumento do bem-estar e do estado de espirito colectivo.
O ajuste de um protocolo com uma qualquer agência de investigação criminal estrangeira seria uma solução razoável, pois pior é impossível.
o MP em Portugal está metamorfoseado num sinédrio judicial, numa plataforma ludica, num parlatório, num parque de diversões.
Alguém com autoridade e competência faça alto à gonorreia institucional, purge a nação, ataque a doença, limpe os dejectos e cesse de autorizar o jogo do Gato e do rato com o povo português por razões e coisas sérias, ou que sérias deveriam ser.
Por Portugal
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
A Rapidez do Regime
terça-feira, 4 de agosto de 2009
(CECI – Causas E Coisas Imperfeitas)
O mesmo soberano que vê cinco comissões de inquérito concluírem que Camarate foi crime e ponto final parágrafo, que vê os deputados defraudarem conscientemente o erário público sem censura (judicial ou política).
O mesmo (representado) que vê o príncipe (representante) render-se e sucumbir aos instintos da perversão: se não pode com a droga, legaliza-a, se não pode com o aborto, legaliza-o, se não pode com a tourada de morte, legaliza-a, etc. (sabemos o que nos espera quando não puder com o roubo!); vê os lobbies da alegada liberdade sexual conquistarem cada vez mais território (gayismo, lesbianismo, travestismo, transformismo, etc.); vê o processo dos hemofílicos ficar em águas de bacalhau; assiste ao regabofe do caso da pedofilia; vê a imparcial e insuspeita sabedoria judicial descobrir que, no caso fax de Macau, houve corrupção, houve corruptor mas não foi capaz de encontrar e punir o corrompido; vê ser eleito (nas suas costas) indivíduos com um passado pecaminoso e um cadastro de preconceito e vingança; vê o príncipe brincar ao referendo com coisas banais e enquanto isso, nas suas, costas decide assuntos vitais (soberania) que apenas à Nação (e nunca à Representação) dizem respeito; vê o seu filho ir para a escola e regressar sem relógio, anel, dinheiro ou qualquer valor; vê a mulher ser assediada ou violada (embora lhe seja garantido a liberdade para se queixar de ninguém).
O povo português – por um dia designado de soberano - sente-se inseguro e julga-se enganado.
Já não confia em ninguém.
E com razão para a desconfiança pois vê o respeito escoar-se pelo autoclismo da libertinagem, vê o Príncipe exceder-se em regalias enquanto compatriotas (e ainda por cima soberanos) vivem debaixo duma ponte; vê a autoridade a ser confundida com o autoritarismo; vê o permissivo triunfar sobre o coercivo, sentem-se inundado de anarquia, corrupção, irresponsabilidade e impunidade, sente-se enganado quando lhe dizem que pertence ao pelotão dos ricos e no entanto só vê miséria (2.000.000 de compatriotas no limiar da fome); vê semanalmente um comboio colidir com um veículo automóvel, vê e sente que o civismo foi atirado para a sarjeta do oportunismo; vê um licenciado (após cinco anos de dedicação, esforço e sacrifício) não ter emprego e enquanto isso os “Zé Marias”, em apenas quatro meses, co-leccionando a maledicência, o despudor e a recalcitrância, asseguram as suas reformas; descobre que o critério da distinção pública tem uma correlação com altos serviços prestados à Pátria menos nítida do que o corporativismo, o lobbie, a filiação partidária e a maçonaria (casos houve de distinção pública de cidadãos que foram responsáveis e culpados de actos que configuram o crime de delinquência de alta traição); vê o trabalho infantil ser objecto dum jocoso racismo social (se uma criança de 13 anos, pertencente a um família humilde, cuja mãe é doente crónica e o pai um crónico alcoólico, ambos desempregados, é apanhada a trabalhar o Estado vê aqui o crime de abuso de trabalho infantil, mas fecha os olhos se por outro lado essa criança for descendente duma família VIP que por ter sido bafejada com um corpo atraente e uma voz fonética já pode exercer a profissão de manequim, cantor, bailarina ou locutora de TV que, não apenas é excelentemente remunerada como ainda passa a ser notícia de primeira página e a ter direito a entrevistas); vê os mesmos que em tempos gritaram histericamente “nem mais um soldado para o Ultramar”, hoje investidos em altos cargos, mais de circunstância que servidão, enviam para a morte injustificada, longe do torrão natal, (Timor, Kosovo, Bósnia e outros lugares), compatriotas dizendo-lhes que são vedetas dos modernos sistemas de defesa e de segurança; vê aparecer, a pretexto da liberdade de imprensa, na primeira página do jornal ou na abertura do telejornal a fotografia do criminoso lado a lado com a fotografia do inocente; vê os culpados da queda da ponte de Entre-os-rios vazarem na maré da irresponsabilidade; assiste ao preciosismo dum tribunal que descobre como culpado para o assassínio duma criança, cuja negligência foi ter carregado (conforme mandam as regras) no botão sinalizador dum semáforo (em plena capital), um electricista há anos reformado; vê crianças serem “assassinadas”, em locais de diversão, devido à negligência grosseira do Estado, enquanto o Príncipe assobia e olha para o lado; vê milhares de concidadãos perecerem em acidentes de viação por causa de sinalizações deficientes, ou inexistentes, estradas maltratadas, bermas transformadas em lixeiras; vê o Príncipe, dito democrático, insinuar com triunfalismo que a democracia é património e exclusividade da esquerda, incluindo a esquerda xenófoba; vê um representante chamar, impunemente, cobarde ao primeiro-ministro de Portugal; vê os concidadãos que resolvem adquirir (a custo diga-se) a sua casa própria, ter de pagar duas (a dele e a do trapaceiro a quem o representante gratifica por não cumprir a lei, por fugir aos impostos e por adoptar uma opção de vida clandestina); vê o concidadão espoliado por ter de pagar, de forma compelida, a taxa duma TV que recusa ver porque os seus programas são intragáveis; vê o estado com os seus impostos dar gratuitamente seringas para sustento dum vício voluntariamente adquirido, enquanto compatriotas com problemas involuntários de saúde têm de pagar a seringa que a doença não dispensa; vê o Príncipe tratar a direita de xenófoba enquanto a esquerda (quiçá ainda mais xenófoba), é tratada com solenidade (e pasme-se elege representantes); vê o conceito de família a ser completamente destruído a soldo de instintos e tentações sexuais antinatura; vê o mesmo Estado que penaliza e persegue o consumo de álcool, incentivar paradoxalmente o consumo, patrocinando uma marca de cervejas nas camisolas das quinas (selecção nacional de futebol); vê enfim o cumpridor (cada vez mais minoritário), o respeitador e o zeloso – afinal um dos poucos que ainda “pede desculpa” quando falha e utiliza o termo “por favor” quando se dirige aos outros - a ser vilipendiado e sentenciado por cumprir a norma, por obedecer aos valores, por sujeitar-se à lei; vê um célebre advogado dizer em plena TV, em horário nobre, que hoje “paga-se mais caro para se ser livre que no tempo da ditadura” sem que ninguém o conteste (talvez por ser verdade!); vê três distintos generais dizerem em plena TV que as forças armadas “bateram no fundo”; vê um dos mais ínclitos (ir)responsáveis pelos acordos de descolonização dizer, 25 anos depois, que sobre tais acordos “se limitou” a corrigir a ortografia ; vê a TV noticiar e seguir passo a passo a recuperação dum golfinho, enquanto milhares de portugueses vegetam nos corredores dos hospitais ou nas listas de espera; vê os patriotas do narcisismo inspirarem, em vida (com dinheiro público), fundações utilizando o seu próprio nome; vê o soberano abstémio (consciente) ser considerado de inimigo abjecto que necessita de ser combatido, enquanto os representantes se abstêm do seu dever faltando sistematicamente (chegando-se ao cúmulo de votações não serem homologadas por falta de quórum!); vê o príncipe propor-lhe referendos para fraccionar o País, enquanto o ignora no processo de transferência da soberania para Bruxelas; vê-se vinculado a uma constituição que não referendou; vê o lobbie do futebol, em concluio com o da construção civil, impor a construção de 10 estádios de futebol para serem usados durante 3 semanas; vê o representante obter com dois mandatos ou pouco mais do que isso (consumidos como atrás dissemos no sopé da “abstenção”) a reforma vitalícia enquanto o soberano só a ela tem direito (democraticamente) aos 65 anos, isto se entretanto não tiver perecido; vê o poderoso safar-se por sistema enquanto o Zé Ninguém (soberano e inocente) se entala sistematicamente; vê o sortudo da fortuna ou o herdeiro do oportunismo curar-se numa clínica particular (dos E.U.A ou Inglaterra) enquanto o soberano vegeta canceroso num corredor, sem luz do dia, dum hospital público; vê o requerente ficar sem resposta enquanto o arruaceiro, o trapaceiro ou “sindicalista” é logo ouvido e atendido; assiste estupefacto à circunstância duma obra pública (prolongamento do metropolitano até Amadora) ser inaugurada debaixo duma manifestação e, este facto, ter sido a verdadeira e relevante notícia; vê, a pretexto da liberdade de imprensa, a TV noticiar que a PSP interrompeu uma corrida de automóveis tão clandestina como perigosa, sendo o relevo dado ao facto da Polícia não confirmar as agressões feitas aos recalcitrantes, invertendo as prioridades; vê a esquerda política ficar horrorizada quando a polícia espanhola investe sobre intrusos (entre eles um representante xenófobo); vê o bastonário da ordem dos advogados dizer publicamente que a Justiça é uma “galeria de horrores” e, acrescentar que aos honestos não resta outra coisa senão “desistir dos seus legítimos direitos” pois a Justiça não está à altura de os garantir (coisa com que infelizmente concordamos, justamente com conhecimento de causa); vê os símbolos nacionais serem constantemente desrespeitados; vê o hino ser assobiado; vê a bandeira ser ultrajada, tratada como um trapo e servindo vezes de mais de toalha de mesa.
Enfim vê e assiste a tudo isso, enquanto lhe gritam que é livre e soberano, sem que ele coitado saiba sequer o significado de qualquer dos conceitos ofertados.
domingo, 2 de agosto de 2009
Missiva-Resposta a Sarsfield Cabral (relativamente ao 10 de Junho-2008)
Acordes duma inexorável agonia.
A reverência institucional, até para superar o desconforto pessoal, levou à adopção da solução de recurso: substituir a força armada pela guarda nacional republicana (GNR).
As Forças Armadas que até então se vinham estratégica e tácticamente preparando para os voos da internacionalização, para os arrojos da projecção em teatros externos – por razões de umbigo – são subitamente atiradas para a sarjeta dos descaminhados.
E qual fénix renascida, num ápice vemos uma GNR, sim a mesma que esteve em vias de extinção, a liderar o protagonismo da diplomacia armada.
E assim, uma força bastarda, em vias de extinção, que nem é peixe nem é carne passa de cadáver a príncipe do regime, aparecendo fortemente armada, armada até aos dentes, desmesuradamente equipada com meios aéreos, navais e terrestres.
Do Velho Exército (desculpe, das forças armadas) resta, cada vez mais, uma miragem que a breve trecho se desvanecerá.
Adivinha-se o dia do aviltamento da História.
O Presidente da República na cerimónia epígrafe da sua reflexão disse que no dia em que as forças armadas morrerem Portugal morre também.
Dia esse que já esteve mais longe.
E a menos que nasça uma solução miraculosa, solução que só pode alternar entre aquela que foi anunciada profeticamente pelo venerável escritor (“português/espanhol”) com nome de Nobel ou a coerciva demissão de todas as instancias de poder, excepto o PR, e a adopção dum governo de salvação nacional constituído por homens de inalienável patriotismo, como por exemplo Hermano Saraiva, Adriano Moreira, José Saramago, Rui de Carvalho (actor), V.ª Ex.ª (Sarsfield Cabral), Ramalho Eanes, Villaverde Cabral, Joaquim Aguiar, e alguns outros da mesma estirpe.
O aviso é sério, se as elites não se assumirem e se demitirem da responsabilidade que – por patriotismo - lhes cabe, então à Massa (Povo Português) só restará a via da regressão pelos caminhos da Memória Ressuscitada olhando por entre o nevoeiro tentando ver o Sebastião Prometido.
Que valha a verdade bem que poderá ser um Impostor - ou o Ressuscitado Velho do Restelo – que vendo a agonia popular e sentindo o seu pulsar hesitante lhe proporá a permuta da psicologia da salvação pela ideologia do heroísmo.
Nesse dia – inevitável – a Massa em agonia arranja forças para se levantar dos escombros e transportará em ombros o Novo Herói, um dejá-vu, “lembrando-se que um dia saiu à rua para comemorar a liberdade e a democracia, valores pelos quais esperou 48 anos” e que agora é chamado de novo a fazê-lo desta vez, sem esperar tanto tempo, saindo em júbilo para festejar a queda do sucedâneo, agora com o dobro da euforia abrilina.
AS ILEISSÕES NA PITANHEIRA
Pois cumpadres. Estamos caise a chegar ás ileissões e o pobo lá do Sombento da capitale comessa a andar todo numa curreria maluca por mor de ber so pobo bota nele. Eu inda num intendi munto bénhe porqué que só salembram da gente na altura das ileissões. Mas balhanos ó menos isso porque se num óbesse ileissões eles nunca salembrabom da gente.
Bai daí que salembrarom todos de bir aqui á Pitanheira por mor de dar instrussom ó pobo e inssinar onde é que a gente áde botar a cruz no buletim do boto.
O que bomessês num imaginom é a trabalheira que deu á gente por mor de ber onde abiamos de botar esse pobo do Sombento da capitale por bia deles num se zangarem uns cus oitros pois queles salembrarom de bir todos no mesmo dia.
Intom reunimos o pobo da Pitanheira, falemos do porbelema e como nós semos um pobo munto democrático, óspois de munta discussom e munta porrada entre o Ti Alfredo das Coíbes e o meu Arnesto, qué tamenhe cunhessido pelo Arnesto dos tumates azules, chiguemos a um intendimento.
Assim, o pobo do Sombento da capitale ficou assim distribuído.
O Sinhor Inginheiro cumo é o óme mais importante, bai prá sede da Junta de Freguesia botar lá o discurso dele. A sala é assim a modos que pequenina e só leba quinze peçoas. Mas num bai aber porbelema, porque a gente penssa ca sala num bai incher.
O Sinhor Francisco, a gente bai botá adromesse.bo intalino num se calalo na igreja, por mor dele fazer o discurso no fim da missa do Padre Catalino. É que no fim da missa o pobo já está todo a dromir pois cu Padre Catalino fala tanto na Úmilia cu pobo inté adromesse, e assim já num pressisom de adromesser ótra bez quando o Sinhor Francisco falare.
O menino Paulinho bai direitinho prá feira dos tumates qué por assim dizere o ebento mais importante aqui na Pitanheira. E cumo o nosso pobo é assim um pobo munto agradessido, inté lhe bom ofresser umas ssestas de tumates, por mor do menino Paulinho ter uma bitaminas que lhe tirem aquele ar amarelo quele tem.
O Sinhor Jerómino, qué um óme munto letrado nessas coisas da Indústria, a gente bai botálo na bacaria do Ti António qué por assim disere a coisa mais industriale ca gente tem aqui na Pitanheira. É que assim ele pode bere sas máquinas que tirom o leite das bacas num tom a trabalhare mais horas caquelas ca lei manda inquanto faz o discurso pró pobo que trabalha lá na bacaria, qué a bem dizere o Ti António e o seu sobrinho Anastássio Coxo.
O que nos deu mais probelema foi saber onde botar a menina Manela. Nós penssemos, penssemos e óspois de munto penssar arresolbemos botála no coreto da Prassa pois cas luzes tom estragadas e o coreto tá assim a modos que ás escuras e assim o pobo já num sassusta ó olhar pra ela.
Pois cumpadres. Nós aqui na Pitanheira semos um pobo todo birado prá Democrassia. Bai dai arrecebemos esse pobo do Sombento da capitale cum a onrras todas. Eles podem falare tudo o que quiserem, porque aqui na Pitanheira quem manda semos nós!
E como sempre, comprimentos com soidades da sseissom. aqui na Pitanheira semos um pobo todo birado pra menina Manela.ra. o Sinhor Francisco falare.
missa o pobo jzer o discurso no fim da missa do Padre Catalino. ma, porque a gente penssa ca sala num bai incher.
dimento.
s no mesmo dia.
bia deles num se zangarem uns cus oitros.o buletim do boto.om as balhanos mbram da gente na altura das ileisspobo bota nele.
sábado, 1 de agosto de 2009
Ó SSEIÇOM DIZE LÁ TUE TAMÉNHE
A maculada e apressada descolonização política, moral e material contaminou as estruturas do Poder e deixou escapulir-se a ultima réstia do patriotismo constitucional e cívico.
O fugitivo não se fez rogado, em jeito de retaliação, levou consigo a dignidade colectiva, o espírito de conjunto, a coesão e a irmandade.
O que ficou então?
Basicamente a verborreia, a gritaria, o verbalismo panfletário e eleitoralista.
Por isso, dizer tornou-se numa função agnóstica e instintiva e pior do que isso num direito inexpugnável que, depressa demais, ultrapassou todos limites ao ponto de e a coberto dum valor mal assimilado (a liberdade) hoje tudo se poder dizer livremente, mesmo que tal dito se constitua numa ofensa à dignidade nacional ou ao direito individual.
Diz-se, dizer, repetir o que disse e tornar a repetir o repetido, tornou-se num direito semi-afrodisíaco que, como não podia deixar de ser, perverteu e inibiu o dever de fazer, de cumprir, de exemplificar, de honrar, etc.
Dizer-se polarizou o fundamentalismo libertineiro que hoje tolhe o conceito da liberdade verdadeira.
A inversão de prioridades depressa se tornou numa rotina e como consequência inevitável a oportunidade, em vez de dar a vez à aptidão, à vocação, licenciatura ou à competência, passou a enrugá-las e como não podia deixar de ser acabou cedendo ao oportunismo, à corrupção e ao compadrio, enquanto, claro está, quem de responsabilidade sobre o assunto continua a dizer que as coisas se passam dentro da legalidade, que tudo foi (ou está a ser) feito correcta e legalmente. O cultismo do dizer esbateu a semântica do fazer, e em alguns casos do dever, por isso os triliões da U.E. encharcaram a carteira dos fazedores do oportunismo e o assédio à adjudicação fez escola para erguer uma já incontrolável oligarquia de interesses mutuamente associados que inexoravelmente atirou para a sarjeta da legalidade o interesse e o bem-estar comum; e, claro está, com o remanescente diz-se que se fez obra e se satisfez as necessidades colectivas.
Dizer e fazer tornaram-se assim elementos distintos e na esmagadora maioria dos casos conflituantes.
Assim, ao estado que se diz ser democrático, o melhor que lhe posso chamar é que se constitui no inverso do que se esperava ser, e o contrário do meu ideal.
Adora dize tu amiga sseiçom, dize o ki falta dizere!